Daniela Mendes

risomancia

Já digo pra vocês “Quando Nietzsche chorou”. Foi exatamente no momento em que alguém usou de sua imagem para fazer rir! Encarar este livro com seriedade literária exige muito. Mais exatamente você precisa: ter um histórico de decepção com a psicanálise; amar Nietzsche incondicionalmente e sustentar um romantismo acerca de Lou Andreas Salomé. Ou, simplesmente, sequer ter ouvido falar destes (mais aí você desistirá dele já no início). Já que só vai sobrar uma narrativa grotesca que desfila a cada página incessantemente.

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Homens que te dêem cantadas baratas sem citar livro de auto-ajuda estão em extinção. Imagine, uma voz rasgada pela nicotina insistir com você na porta do banheiro: “Você tem medo de fazer amor comigo? Você tem medo de acordar com um bandido? E ver no espelho escrito de batom: Tiau trouxa, foi bom!”. Não mais importante um belo cover de Pterodactilo Contemporaneus no final. Sim, Mingus, Marcele. Até isso faz de Façanhas uma trilha sonora básica.

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Quem não viu no cinema, favor ao fazê-lo em sua casa arrumar uma bombinha de oxigênio. Pois a beleza da fotografia do filme irá já de princípio suprimir qualquer palavra acerca da brutalidade dos fatos. Mas não espere muitas gosmas e sangue jorrando. Não espere o capeta. Não espere uma posição acabada sobre o bem e o mal. Nem tampouco tenha medo de ver achando se tratar de cenas de violência estetizada. Antichrist não é nada disso. Ele é um filme humano, no melhor sentido carne e osso, artérias e derme.

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Em 1989, eu tinha 14 anos de idade. Mais fã das aulas de história, até mesmo mais do que das de gramática e literatura, lembro o quanto me dei bem nas provas do segundo bimestre. Coincidiu que estudávamos a Guerra Fria bem no momento em que die Mauer (o muro) caía. A imagem nos telejornais de jovens dançando sobre escombros me motivou de tal forma que despertou em mim a dupla prazer/estudo. Eu queria participar daquele carnaval e entender este meu desejo adolescente de abraçar toda euforia dos jovens alemães daquele final de década. O que era muito natural, já que nossa primeira década inteiramente livre do regime militar foi assimilada por mim, com fervor.

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Voltei do barroco nisto que é o vai-e-vem da minha vida. E agora, retornando ao meu PC encontro este texto… Ele fala que de clique em clique, cheguei ao fabuloso Zdzislaw Beksinski. Cai de joelhos, mas tão logo me levantei tive que concordar com o Lomão: a música de Zibgniew Preisner exerceu sim um efeito retórico poderoso na apresentação das imagens. Fiquei obcecada para consegui-la, sem sucesso. Apenas descobri que é dele as trilhas de The Secret Garden e Trois CouleursBleu, que de pronto baixei sem ainda conseguir o que queria. Assim, como quem não tem cão caça com gato, resolvi lançar mão de Syd Barrett (e que gato!).

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Sempre aviso quando vou fazer uma coisa infantil, como um prefácio do episódio, para lembrar a todos que eu sei que é infantil e não dou a mínima. Para avisar minha idade e que enquanto eu tiver saúde ela não vai me limitar a nada (com exceção da saia curta, do top e da chapinha no cabelo). Então lá vai uma coisa imatura: eu não sei viver sem minhas meninas.

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Mas tem um método que sempre adianta, embora seja muito difícil. É ver estes filmes novos, naturalistas, que ficam na sua cabeça por dias e ressuscita toda a porra das figurinhas. E elas ficam ali vivendo com tanta força que te transformam num personagem.

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1993 – um belo dia resolvi mudar e fazer tudo que eu queria fazer. Me libertei daquela vida vulgar, parei de sofrer com despedida e aprendi que quem parte não leva nem o sol nem as trevas.

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Se na vida que rola na prática amarguei o fim de semana do desencontro, nas atividades hedonistas fui testemunha de memoráveis encontros. Como vocês viram (ou não), citei um no post passado. Agora vou falar de outro encontro no melhor estilo quadrilha: era uma vez Antony, que encontrou Lou, que encontrou Candy, que encontrou Deus (ou o diabo).

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